quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Café e Cartas

(Foto por Llexa - DeviantArt)


Há alguns anos, já tantos que não me lembro bem, eu e o Valcir iniciamos uma tradição que se mantém até hoje. Naquela época, sofrendo da síndrome das intermináveis e maçantes tardes de domingo, passamos a nos encontrar em um cafezinho aqui perto de casa e ocupávamos o tempo conversando, fumando e tomando litros dos mais variados cafés. Ainda hoje fazemos isso, não obrigatoriamente no domingo de tarde (inclusive, tem sido o horário em que menos nos encontramos), mas, sobretudo, na hora do almoço, ou em qualquer outra hora em que possamos nos juntar. É importante ressaltar que a tradição, que começou com apenas dois apreciadores, rapidamente foi adotada por parentes e amigos, os quais passaram a nos dar o prazer da companhia e da conversa jogada fora.

E foi em uma mesa de café que realmente conheci a Ana Fernandes. Também nas horas de almoço no intervalo do trabalho. O engraçado é que ela não toma café, aprecia apenas chás e chocolate quente. Embora, tenho que ressaltar que uma vez flagrei-a tomando um Café Russo (ou era um Inglês?), não importa o país, importa que na receita de um vai Vodca e na do outro vai Whisky. Será que foi nesse dia que ela se apaixonou por mim? Coitada. Se for beber, não saia à caça.

Acho que a tradição de se reunir no cafezinho diário teve suas raízes nas noites de pôquer. Não, não tomávamos café naqueles dias, tomávamos whisky, cerveja, cana, ou o que quer que apresentasse álcool no rótulo (estou usando o pretérito, mas isso ainda acontece, e devo dizer com pesar que na última rodada eu perdi dinheiro, perdi o sono e não bebi o suficiente...). Anote em seu caderninho a seguinte informação: a turma do pôquer também é, praticamente, a turma do café. A conversa jogada fora no pôquer, também é a mesma do café. O que se ganha no pôquer, e não falo do dinheiro, também é o mesmo que se ganha no café. São momentos que, perdão pela propaganda, não têm preço.

Alguns amigos estão longe, como o meu irmão Roberto. Mas ele é membro titular de ambos os clubes e estará conosco nesta versão virtual. Não sei sobre o que ele pretende escrever, mas se for falar de sua paixão (depois de você, Simoni!) então teremos boas crônicas futebolísticas. Outros amigos serão adicionados aos poucos. Alguns, eu sei, terão reticências em participar de uma versão virtual das nossas rodadas de Café e Cartas, mas certamente estarão presentes de uma maneira ou outra.

Então a historia é mais ou menos essa que contei. E aí você pergunta agora: sobre o quê vocês falarão? E eu respondo: sobre nada, sobre tudo, sobre o que der na cabeça. Hoje falaremos sobre a Venezuela de Hugo Chávez, amanhã discutiremos a desproporcionalidade harmônica da bunda da Mulher Melancia, depois comentaremos o novo disco do Coldplay (que não gosto, mas Valcir e Ana curtem). Teremos crônicas, poesias, vídeos, músicas, frases curtas, longas dissertações. Teremos uma mesa, café, cartas jogadas e cartas escritas. Teremos um bom papo entre amigos. E pronto, será assim.

3 comentários:

Narradora disse...

Bom, já vou puxando a cadeira pra ler as novidades.:)
Bjs

Ana Fernandes disse...

Eu que não gosto de café, a exceção foi o Russo algumas vezes,aprecio a boa conversa jogada fora com amigos (as)...estarei por aqui contribuindo com o papo! PS.: Me apaixonei por vc quando descobri que vc não era quem eu pensava...estar sóbria foi importante!

Alice disse...

Minha receita... não sigo receitas. :)


Adorei a idéia, João. A Virginia Woolf já dizia que uma mulher precisava de uma ambiente calmo para escrever. Isso lá no tempo dela. Eu mesma escrevo ao belo som dos carrinhos e bolas e trenzinhos do Pedro. É o som do meu cotidiano. Acho que você precisava de um espaço seu - não que vá deixar o Philosophy, mas aquilo lá tá muito apagado. Vou ver o que faço. Virei aqui, embora não tome café, também não tomo cana ou whisky e não jogo cartas. Só escrevo. Virei sempre prestigiar o que quer que escrevam. Ah, e tb não gostei do novo disco do Coldplay.

Boa sorte pra vcs e que muitos assuntos surjam.

Bjs.

Letícia