Para quem não conhece o termo troglossexual, explico: cunhado pelo meu amigo Valcir, ele representa o nosso protesto ao que muitos tem tentado fazer ao homem, principalmente representa a nossa negação ao estilo de vida dos metrossexuais, überssexuais e outros sexuais que não sejam masculino-sexuais. O troglossexual é o homem que é homem, ou seja, tem pêlos, cospe no chão, coça o saco, fala palavrão, solta peido, bebe cerveja – ou outra bebida para macho – não usa creme anti-rugas, não faz limpeza de pele, não ajeita a sobrancelha e quando vai para a academia malha o bíceps e não os glúteos. Enfim, tendo explicado, retornemos ao ponto central deste manifesto (outra característica do verdadeiro homem, a objetividade), que é o sacrossanto direito ao silêncio, ou, em outras palavras, o direito de falar pouco.
Muitas mulheres reclamam repetidamente que seus machos não sabem conversar, praticamente deixando-as falando sozinhas. É verdade, não posso argumentar contra este fato, mas permitam-me dizer que esse é um indício –cara fêmea que me lê – de que você está acompanhada de um verdadeiro homem. O que vocês não entendem é que nós não possuímos a necessidade de expressarmos em palavras tudo o que se passa em nossas mentes, ou a incrível capacidade de transformar um relato que possa ser feito em cinco palavras em um discurso de infinitas laudas. E é interessante notar que muitas de vocês, quando fazem a lista das características ideais para o príncipe encantado, apontam a capacidade de ouvir como uma das principais. Ou seja, como vocês esperam que nós possamos ser bons ouvintes e ao mesmo tempo estejamos despejando nossas próprias opiniões, interrompendo seus intermináveis relatos de como foi o seu dia? E, apesar de poucos afeitos a longas conversas, nós, em respeito às suas características femininas, nos dispomos a ouvir tudo o que vocês acham importante nos contar, o que normalmente significa saber tudo o que aconteceu a partir do momento em que vocês acordaram até o momento em que está ocorrendo a conversa. Mas, mesmo estando dispostos a esse sacrifício, somos sempre repreendidos por conta do nosso silêncio.
Entendam, se vocês possuem o direito de falar tudo, nós temos o direito de nos manter calados, ou falarmos apenas o necessário. Minha sugestão é que vocês aproveitem aquele dia anormal em que seu troglodita preferido está emitindo mais do que alguns grunhidos. Talvez o time dele tenha vencido, talvez ele tenha sido promovido, talvez ele tenha bebido demais ou usado substâncias ilegais, talvez ele até tenha se encontrado com uma ex-namorada que lhe tenha chutado a bunda e descoberto que ela se casou, está gorda, flácida e tem mais varizes na perna do que o Brasil tem de estradas. Não importa o motivo, se ele está querendo conversar, então aproveite, se não for o caso, respeite o seu direito de manter a boca fechada. Caso você realmente precise falar, fale, nós escutaremos. Caso você precise ouvir opiniões mais longas do que uma sentença de três palavras, procure sua melhor amiga, e caso você ache que exista um homem que seja capaz de longas conversas, eu preciso adverti-la de que esse cara aí gosta da mesma fruta que você.
A propósito, não esperem pelo príncipe encantado, ele não existe, e se existir é metrossexual, ou seja, não é homem. Esperem pelo bárbaro, pois este é que será o homem capaz de matar qualquer dragão para lhe manter ao lado, e jamais disputará com você para saber quem tem o cabelo mais fashion...
Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.
Friedrich Nietzsche
Talvez estejamos todos em um grande livro. Nossas vidas são narradas em uma sequência aleatória de letras e números que se amontoam em páginas viradas e prontamente esquecidas. Nada feito anteriormente, digno de nota, será lembrado como escusa à caligrafia torta que possa um dia fugir à linha. Gosto de sonhar que sou meio kamikaze, embora esteja quase certo de que não serei recepcionado por sete virgens logo após apertar o último botão. Gosto de saber que meus sonhos, aspirações, preocupações e frustrações não são tão importantes quanto uma visita que se perca, ou um mal-entendido que não possa ser superado. Gosto de saber minha real posição neste jogo, e quem me entende sabe: já não vivo mais eu. Imagino que haja quem tenha passado a vida inteira à procura de alguém que encaixe perfeitamente no script longamente ensaiado de sua vida, e, quando encontra, não sabe o que fazer quando descobre que não existe semelhante utopia. E tudo é enfado. E qualquer fala destoante será punida com a dissimulação que é peculiar a quem não tem coragem de olhar o abismo. É compreensivo, o abismo olhará de volta. Sejamos honestos, quem, em sã consciência, sente prazer em se confrontar e descobrir que não é exatamente do que jeito que se imagina ser? Talvez estejamos todos enganados, talvez realmente exista um ponto de onde não se possa voltar, talvez existam grandes esperanças. Talvez o livro tenha final feliz. E quem se importa?
Não sinto falta da dúvida e há muito não sei o que é perguntar
Não vejo luz no túnel, nem mesmo sei onde fica sua entrada
Não transcrevo conversa fiada
Não tomo partido, não tomo inteiro
Não tenho jeito para galã
Não sei o que é febre terçã
Não seguro a onda, não seguro o vento
Não conheço os pontos cardeais
Não abrigo a maldade, não obrigo ninguém
Não entendo você, nem mesmo eu também
Não torço pelo vencedor
Não me deixo enganar, não sou perdedor
Não perco tempo com mesquinharias
Não tenho um vintém
Não acho estranho o diferente, não faço desdém
Não sei o que quero, não sei onde vou, não olho o trem
Outrora julgava-me capaz de dominar o mundo. E esta é das poucas frustrações que roubam-me o sono. A certeza que tenho é que não consegui meu intento. Hoje sei que foi ele quem me dominou. Não é crise de meia-idade, é crise de idade inteira. Lembro-me do Zeca e seu copo de cerveja que nunca seca. Lembro que é a vida que leva eu. E converso com meus botões fartos de ouvir minhas conjecturas. Abro a lata, vamos bater lata, vamos fazer retirada estratégica, voltemos à prancheta, let’s buy a ticket to ride, e continuemos a seguir em frente. Por isso, escrevo. Aqui, quem manda sou eu.
Hipocrisia. É uma palavra meio abominada, claro. Mas atire a primeira pedra quem não contribui - ainda que em parcelas escassas - para sua continuidade no mundo... Diz-se que a hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis ambos significando a representação de um ator, atuação, fingimento (no sentido artístico). Essa palavra passou, mais tarde, a designar moralmente pessoas que representam, que fingem comportamentos.
Melhor definição não poderíamos ter. Se você parar um pouco para analizar, nos deparamos com pessoas assim no nosso dia-a-dia. Segundo o cientista cognitivo Keith Stanovich (o foi citado para melhor ilustrar o pensamento) as únicas pessoas que não são hipócritas são a minúscula, e talvez não-existente minoria que é tão santa que nunca se entrega a seus instintos mais básicos e o grupo maior que nunca tenta viver segundo os princípios da moralidade ou virtude.
Mas o hipócrita é assim, ele vai viver na sociedade fingindo emular comportamentos socialmente aceitaveis para a sociedade. Existirão situações e situações onde um indivíduo encontrará diante de uma determinada situação e deverá resolvê-la por si mesmo, com a ajuda de uma norma que reconhece e que aceita intimamente, pois o problema do que fazer numa dada situação é um problema prático-moral e não teórico-ético.
Ética! O que é a ética para você? Você tem seu próprio jeito de viver? Você acredita em suas opiniões? Você existe ou você é apenas mais um no mundo que segue pela cabeça da maioria? Será que você é aquela pessoa da moda?
A ética é uma característica inerente a toda ação humana e, por esta razão, é um elemento vital na produção da realidade social. Todo ser humano possui um senso ético, uma espécie de "consciência moral", estando constantemente avaliando e julgando suas ações para saber se são boas ou más, certas ou erradas, justas ou injustas...
O homem tem que limpar o interior e o exterior, tanto um como o outro. Afinal de contas, será que precisamos ser controlados? Discretos? Calmos? Palhaços? Idiotas? Hipócritas?...
"assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e iniquidade" (Mateus 23:28)
A hipocrisia sempre se faz presente em todos. Em algum momento, todos terminam usando dela, em maior ou menor quantidade, o grande problema é que existem aqueles que se acham superiores a isso e às misérias de franqueza humana, e então erguem "bandeiras" de perfeição. E todos sabem que perfeição não existe e mais dia menos dia, isso se revela - a imperfeição. O que se diz "santo", quando cai evidencia isso muito mais, o que aos nossos olhos é hipocrisia.
Somos como formigas. Caminhamos sob os pés de gigantes. Somos o tempo perdido em dias que não possuem fim. Surpreendemos. Suportamos pesos desproporcionais à leveza que sugerimos. Somos formigas operárias. Trabalhamos para dar conforto ao esperto gafanhoto que nunca passa frio. Nosso comportamento randômico aparentemente determina a ordem do caos que criamos. Somos como o espelho quebrado. Insatisfação eterna com o que vemos, ouvimos e pedimos. Nunca temos o suficiente e tememos nunca ter. Somos a insuportável certeza de não ser, a incerta proeza de vencer, a insuspeitável agonia de não saber. Somos como formigas. Cavamos nossos túneis e neles vivemos às escuras. Somos o oposto do oposto do que é certo e não temos consciência. Somos o fardo pesado que retarda o gozo de uma plenitude que não logramos atingir. Percorremos o labirinto de nossas angústias, catalogamos nossos defeitos, repreendemos nossos sonhos, desacreditamos nossa fé, não deixamos tijolo sobre tijolo, não fazemos acordos, sabotamos nossa improvável felicidade, soltamos impropérios quando deveríamos orar. Somos como as formigas. Incapazes de refletir, não ousamos ter a noção de que ser é parte de uma insustentável e harmoniosa leveza no viver.
Sabe aquela mesa aconchegante do cafezinho aí perto de sua casa? Pronto, é isso aqui. Amigos que se reúnem para falar sobre tudo, ou sobre nada. Bebericar palavras, experimentar estilos, fazer piada, salvar o mundo. O café aqui é servido por mim, João, pelo Roberto, pelo Valcir e pela Ana (senão teríamos o ambiente mais troglomacho da face da Terra). Sente-se, relaxe, faça o pedido e faça-nos companhia.
Trilha Sonora
Aqui todo mundo é tão viciado em café quanto em cinema. Logo, a vitrola não poderia tocar outra coisa senão trilha sonora de filmes. Lembrou de alguma que não está na lista? Peça, vou em busca e adiciono (mas tem que dizer de que filme faz parte).
Quem Falou Foi o Aurélio
CAFÉ
O fruto do cafeeiro; Infusão desse fruto, depois de torrado e moído; Estabelecimento comercial dotado de balcão e/ou de pequenas mesas onde se toma café e outras bebidas. [Cf., nesta acepç., botequim.]
CARTA
Comunicação escrita ou impressa, endereçada a uma ou mais pessoas; Cada uma das peças do jogo de baralho.