
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
O troglossexual e o sacrossanto direito ao silêncio
shut your mouth by majezik - deviantart.com
Para quem não conhece o termo troglossexual, explico: cunhado pelo meu amigo Valcir, ele representa o nosso protesto ao que muitos tem tentado fazer ao homem, principalmente representa a nossa negação ao estilo de vida dos metrossexuais, überssexuais e outros sexuais que não sejam masculino-sexuais. O troglossexual é o homem que é homem, ou seja, tem pêlos, cospe no chão, coça o saco, fala palavrão, solta peido, bebe cerveja – ou outra bebida para macho – não usa creme anti-rugas, não faz limpeza de pele, não ajeita a sobrancelha e quando vai para a academia malha o bíceps e não os glúteos. Enfim, tendo explicado, retornemos ao ponto central deste manifesto (outra característica do verdadeiro homem, a objetividade), que é o sacrossanto direito ao silêncio, ou, em outras palavras, o direito de falar pouco.
Muitas mulheres reclamam repetidamente que seus machos não sabem conversar, praticamente deixando-as falando sozinhas. É verdade, não posso argumentar contra este fato, mas permitam-me dizer que esse é um indício – cara fêmea que me lê – de que você está acompanhada de um verdadeiro homem. O que vocês não entendem é que nós não possuímos a necessidade de expressarmos em palavras tudo o que se passa em nossas mentes, ou a incrível capacidade de transformar um relato que possa ser feito em cinco palavras em um discurso de infinitas laudas. E é interessante notar que muitas de vocês, quando fazem a lista das características ideais para o príncipe encantado, apontam a capacidade de ouvir como uma das principais. Ou seja, como vocês esperam que nós possamos ser bons ouvintes e ao mesmo tempo estejamos despejando nossas próprias opiniões, interrompendo seus intermináveis relatos de como foi o seu dia? E, apesar de poucos afeitos a longas conversas, nós, em respeito às suas características femininas, nos dispomos a ouvir tudo o que vocês acham importante nos contar, o que normalmente significa saber tudo o que aconteceu a partir do momento em que vocês acordaram até o momento em que está ocorrendo a conversa. Mas, mesmo estando dispostos a esse sacrifício, somos sempre repreendidos por conta do nosso silêncio.
Entendam, se vocês possuem o direito de falar tudo, nós temos o direito de nos manter calados, ou falarmos apenas o necessário. Minha sugestão é que vocês aproveitem aquele dia anormal em que seu troglodita preferido está emitindo mais do que alguns grunhidos. Talvez o time dele tenha vencido, talvez ele tenha sido promovido, talvez ele tenha bebido demais ou usado substâncias ilegais, talvez ele até tenha se encontrado com uma ex-namorada que lhe tenha chutado a bunda e descoberto que ela se casou, está gorda, flácida e tem mais varizes na perna do que o Brasil tem de estradas. Não importa o motivo, se ele está querendo conversar, então aproveite, se não for o caso, respeite o seu direito de manter a boca fechada. Caso você realmente precise falar, fale, nós escutaremos. Caso você precise ouvir opiniões mais longas do que uma sentença de três palavras, procure sua melhor amiga, e caso você ache que exista um homem que seja capaz de longas conversas, eu preciso adverti-la de que esse cara aí gosta da mesma fruta que você.
A propósito, não esperem pelo príncipe encantado, ele não existe, e se existir é metrossexual, ou seja, não é homem. Esperem pelo bárbaro, pois este é que será o homem capaz de matar qualquer dragão para lhe manter ao lado, e jamais disputará com você para saber quem tem o cabelo mais fashion...
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Revisitando o Abismo
para não tornar-se também um monstro.
Quando se olha muito tempo para um abismo,
o abismo olha para você.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Vigília
Tento dormir e descubro
O que fazes velando o meu sono?
O que queres mirando meu rosto assim?
Belo eu sei que ele não é
Então, quantas noites mais terei o prazer desta vigília?
Mas, é hora
A noite se vai, o tempo que corre acelerado
Sempre acelerado quando estamos, nós dois, como se fôssemos um
Sol nascendo para o sono que não pude ter à noite
Não há arrependimentos
Toda saudade é expressão da despedida
Todo reencontro demora mais do que seria justo esperar
Mas nestas horas assemelhadas a dias
Resta a certeza de novamente trocar o sono pela vigília
Benditos momentos em que não há nada melhor para fazer
Leva
Através do certo
Por entre os mistérios
Entre teus lábios
Sob tua pele
Em teu respirar
Naquele teu olhar
Dentro de si
Leva
Esta certeza
Estas linhas
Esta fábula
Esta maneira
De falar do amor
Que dedico a ti
Ps.: Esta é oferecida a você, Ana Fernandes. Precisava dizer? Claro que não, pois já sabes tudo isso...
domingo, 9 de agosto de 2009
Crise de Idade Inteira
train by parawan - deviantart
Não temo o raio da silibrina
Não desejo a mulher que nunca dorme só
Não sinto falta da dúvida e há muito não sei o que é perguntar
Não vejo luz no túnel, nem mesmo sei onde fica sua entrada
Não transcrevo conversa fiada
Não tomo partido, não tomo inteiro
Não tenho jeito para galã
Não sei o que é febre terçã
Não seguro a onda, não seguro o vento
Não conheço os pontos cardeais
Não abrigo a maldade, não obrigo ninguém
Não entendo você, nem mesmo eu também
Não torço pelo vencedor
Não me deixo enganar, não sou perdedor
Não perco tempo com mesquinharias
Não tenho um vintém
Não acho estranho o diferente, não faço desdém
Não sei o que quero, não sei onde vou, não olho o trem
Outrora julgava-me capaz de dominar o mundo. E esta é das poucas frustrações que roubam-me o sono. A certeza que tenho é que não consegui meu intento. Hoje sei que foi ele quem me dominou. Não é crise de meia-idade, é crise de idade inteira. Lembro-me do Zeca e seu copo de cerveja que nunca seca. Lembro que é a vida que leva eu. E converso com meus botões fartos de ouvir minhas conjecturas. Abro a lata, vamos bater lata, vamos fazer retirada estratégica, voltemos à prancheta, let’s buy a ticket to ride, e continuemos a seguir
domingo, 2 de agosto de 2009
Um mundo meio que assim...

terça-feira, 28 de julho de 2009
Pobres Formigas
Somos como formigas. Caminhamos sob os pés de gigantes. Somos o tempo perdido em dias que não possuem fim. Surpreendemos. Suportamos pesos desproporcionais à leveza que sugerimos. Somos formigas operárias. Trabalhamos para dar conforto ao esperto gafanhoto que nunca passa frio. Nosso comportamento randômico aparentemente determina a ordem do caos que criamos. Somos como o espelho quebrado. Insatisfação eterna com o que vemos, ouvimos e pedimos. Nunca temos o suficiente e tememos nunca ter. Somos a insuportável certeza de não ser, a incerta proeza de vencer, a insuspeitável agonia de não saber. Somos como formigas. Cavamos nossos túneis e neles vivemos às escuras. Somos o oposto do oposto do que é certo e não temos consciência. Somos o fardo pesado que retarda o gozo de uma plenitude que não logramos atingir. Percorremos o labirinto de nossas angústias, catalogamos nossos defeitos, repreendemos nossos sonhos, desacreditamos nossa fé, não deixamos tijolo sobre tijolo, não fazemos acordos, sabotamos nossa improvável felicidade, soltamos impropérios quando deveríamos orar. Somos como as formigas. Incapazes de refletir, não ousamos ter a noção de que ser é parte de uma insustentável e harmoniosa leveza no viver.
terça-feira, 21 de julho de 2009
O que tenho nas mãos?
Fonte: www.deviantart.com
Grãos de areia que se vão
Gotas de vida que não são
Rito de fim sem razão
Saldo de sonhos em vão
O vir-a-ser nas mãos!
Sinal de gritos e dor
Ausência de palavra e calor
Tempo de silêncio e torpor
Final da ordem sem cor
Nas mãos, nada como valor!
Continua com João, o tema é A insustentável leveza do ser
Ana Fernandes
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Um Luar

terça-feira, 23 de junho de 2009
Às De Ouros...




