domingo, 7 de setembro de 2008

Estante

(Foto por Atomic Time Bomb - DeviantArt)


É setembro e lembro-me de escrever
Em minhas mãos, argila
Em meu corpo, marcas
Em meu relógio, tempo
Em dia novo, janela aberta
Em minha cabeça, redemoinho
De minha boca, palavra
E para desvirginar papel, pena
Para fecundá-lo, nanquim
Para nascer, brochura
Para mantê-lo, capa dura
Para aprisioná-lo, estante

Paro
Penso
E não quero

Quero desvirginar
Quero fecundar
Quero parir
Quero manter
Mas
Não quero prender

E parece
Que todo livro
Tem o frio destino
De perecer
Bolorento
Sujo
E carcomido por traças
Naquela estante
Que eu
Tu
Ele
Conjuramos
No canto da sala

4 comentários:

Camilla Tebet disse...

Sou a primeira. ooops, que medo.
W vc falou de cantos. Canto da sala. Aquilo que fica no canto é querido mas deixado do (e não de) lado.É peça de decoração de uma vida onde não coube tudo.
Que bom que é setembro. que bom que vc lembrou de escrever. Sempre me lembro de ler.
Beijos pro poeta.

poetriz disse...

Mas isso até que mãos curiosas de um leitor o abra. E olhos atentos o leiam. E depois, as palavras se libertam e viram borboletas nos sonhos...

Aline disse...

é minha válvula de escape
minha utopia diária
preciso escrever para sentir-me viva.

vim pelo cheiro do café.

alice disse...

Parir um poema e pensar. Você chegou ao ponto em que criar é pensar o tempo todo e fazer texto até conversando com amigos.