quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Não é, eu sei
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Tripallium
(Working by Enyodanis - Deviantart)
Sinto falta de escrever. Não digo que a vida só presta reescrita, mas com certeza ajudaria muito poder reescrever uns trechos. Gostaria de poder viver de minhas palavras, mas não encontro eco comercial para elas e, sendo assim, vejo-me forçado a buscar o pão nosso de cada dia em orações que vão das seis às vinte e duas horas. E, após tanta auto-flagelação, encontro redenção na minha cama. Quando estamos lá pelos idos da quinta ou sexta-feira, sou até mesmo capaz de ouvi-la chamando-me pelo nome, mistura de canto da sereia com pozinho mágico lançado por Morfeu. Sábado e domingo? Novas orações (embora não tão intensas) e mais sono sem sonhos e pescoço dolorido por se largar de qualquer jeito sobre o leito que se traduz em conforto para o corpo e mente cansados.
Trabalho, do latim tripallium, instrumento romano de tortura. Ocupações diversas que levam ao mesmo fim, o sustento de necessidades que se avolumam com o passar dos anos. E cá estou eu, desdobrando-me em tantos eus que quase já não sei quem sou.
Mas não devo reclamar. Há muitos que não possuem tanto quanto e que, prazerosamente, trocariam de lugar comigo. E diriam, que venha o tripallium, que venha a tapa na cara, o puxão de cabelo, o jogar na parede e me chamem de lagartixa, ora bolas!
Mas sinto uma falta dolorosa de escrever. Penso que isso, mais do que a carga excessiva de deveres diários, é o que está levando-me a um estado psicológico sui generis. Ouço vozes. Isso faz de mim um louco? E essas vozes contam histórias prontas, demandam serem postas no papel, proclamam versos, rimas, estrofes. Rasgam minha mente uivando sua urgência em retomar o direito à sua parcela de minha vida. Exigem ser escritas, seja no velho português acentuado, ou nesta nova língua cujos acentos preciso redescobrir onde não colocar. E antes que, de fato, eu passe a ser alvo de estudo em alguma casa de repouso (mas vejam só, que eufemismo oportuno!), preciso dar corpo às vozes que me perturbam o juízo.
Tudo isso apenas para dizer que após um longo e tenebroso inverno estou de volta e vou escrever. É preciso. É imperativo. É mais forte e mais intenso e mais urgente do que comer pão.
Trabalhar faz bem à saúde. Deixemos, então, os enfermos trabalharem.
Ps.: Marília, estava mesmo precisando um chute na canela para voltar a escrever. Thanks! Este post vai dedicado a você.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Suposições e esperas
Suponho impossível
Logo sonho
Acordo
Vou à varanda
Acendo cigarros
Espero a revelação
E das muitas questões que surgem, poucas respostas tenho para dar. Não sei explicar nada que entendo. Minhas pretensões apocalípticas evanesceram-se ao reconhecer que necessitava pagar contas. Não as minhas. As alheias.
Suponho impossível
Logo faço orações
Joelho no chão
Mãos apontando o céu
Faço jejum
Espero a revelação
Dias incontáveis em mórbida espera. Não faltam açoites e simulacros de penitências. Não sei fazer promessas, posto que não sei como pagá-las. Tento sondar o insondável. Silêncio perturbador. Não o meu. O alheio.
Suponho impossível
Logo faço ameaças
Dramas infantis
Receita de desastre
Redijo demandas
Exijo uma revelação
A vida passa rápido. Não parece apontar para um Nirvana possível. E eu sei que tragédias anunciadas são adoráveis roteiros de filmes B. O lado avesso é confortável, o vizinho é mais feliz, há uma mosca na minha sopa, espero a propaganda acabar, tomo café com menta, ouço música que me faça pensar bobagens.
Aguardo uma revelação
Poucas palavras sábias
Um gesto
Sinais de fumaça
Aguardo, mas logo
Suponho impossível
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Aviso aos Navegantes


Ando um bocado ocupado. Coisas da vida. Trabalho (muito trabalho) e mais umas outras demandas que roubam tempo como político rouba esperança. É uma fase como outra qualquer, há de passar. Mas enquanto não passa os posts devem aparecer mais espaçados.
Não prometo nada, mas acho que domingo que vem vou ter tempo de postar alguma coisa nova.
Despeço-me macambúzio. Adoro escrever, bem como adoro ler vocês, visitantes fiéis.
Grande abraço.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
O Preço
(Imagem por A Constant Brother - DeviantArt)sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Fight Club
Dedico o post aos amigos Valcir e Richard... bem como ao poste que um dia pagou o pato!
If this is your first night, you have to comment.
Enjoy Dust Brothers.
This Is Your Life
tecla SAPAnd you open the door and you step inside
We're inside our hearts
Now imagine your pain as a white ball of healing light
Thats right
Your pain, the pain of self is a white ball of healing light
I dont think so
This is your life
Good to the last drop
It doesnt get any better than this
This is your life and its ending one minute at a time
This isnt a seminar
This isnt a weekend retreat
Where you are now you can't even imagine what the bottom will be like
Only after disaster can we be resurrected
It's only after you've lost everything you are free to do anything
Nothing is static
Everything is evolving
Everything is falling apart
You are not a beautiful and unique snowflake
You are the same decaying organic matter as everything else
We are all part of the same compost heap
We are the all singing all dancing crap of the world
You are not your bank account
You are not the clothes you wear
You are not the contents of your wallet
You are not your bowel cancer
You are not your grande latte
You are not the car you drive
You are not your fucking khakis
You have to give up
You have to realise that someday you will die
Until you know that
You are useless
I say, let me never be complete
I say, may I never be content
I say, deliver me from swedish furniture
I say, deliver me from clever art
I say deliver me from clear skin and perfect teeth
I say you have to give up
I say evolve, and let the chips fall as they may
I want you to hit me as hard as you can (x2)
Welcome to fight club
If this is your first night - You have to fight
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Quando Escrevo
Quando escrevo
Descrevo a letra que faz dicionário
Construo ponte para o imaginário
Teço rede para dormir
Para pescar
Para conectar
Concedo o sentido que quiser
O que melhor aprouver
Ao meu escrever
Quando escrevo
Lanço verdade contra o vento
Conto causos, conto tostões
Canto beleza de calar a voz
Encanto sereia com meu falar
Traço castelos no ar
Quando escrevo
Arquiteto o futuro
Refaço o passado
Aprecio o presente
Escrever é verter o caldo difuso e confuso que se forma na mente. É traduzir-se em palavras que nunca alcançam o verdadeiro significado pretendido. É expor-se por charadas. É fazer-se presente mesmo quando já se foi.
Quando escrevo
Transcendo
Fujo à regra
E não censuro
Não questiono
Não explico
Escrevo
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Vassouras

Ps.: Não consegui descobrir uma maneira de postar o desenho em um tamanho bacana. Depois de horas brigando com a tecnologia fui vencido pelo cansaço. Aos amigos leitores que tenham problemas de visão, sugiro clicar na imagem para ela ficar maior. Desculpem o incômodo, vou continuar tentando encontrar uma maneira de colar a imagem em um tamanho maior.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Sonhos Que Não Recordo
(Foto por Liquid Kid 1 - DeviantArt)
Sei que escrevo palavras tortas
Mas sigo a linha
E rezo pela cartilha
Pela sua maldita cartilha
Sustento meus vícios
Beijo nuvens em sonhos que não recordo
E rego as flores no jardim
As suas flores, o seu jasmim
Passou outono, inverno, primavera, verão
Um dia a mais caminhando
E faço aniversário
Comemoro pouco, bebo muito
Mover, mover, mover, mover
E não se sabe para onde se vai
Até Deus teve um dia de descanso
Quando você permitirá o meu?
Trago livro, traguei muita fumaça
Hoje faço poema, escrevo ilusões
Mágica na ponta do lápis
Devaneios e sonhos que não recordo
Sonhos que não recordo
Sonhos que não recordo
Abri mão de mim
Piada mal contada em salão de festa
Perdido de mim
Sinal de fumaça a milhas de distância
Vejo-me passar sozinho no outro lado da rua
Rasguei umas folhas de embrulhar pão
Espero, ao menos uma vez
Lembrar dos meus sonhos




